Até meados do século passado, a Lapa era formada por uma área habitada por trabalhadores de olarias e agricultores de pequenas propriedades rurais. O caminho dos boiadeiros rumo ao interior, transformou-se, em 1870, num núcleo urbano, com a expansão cafeeira, a instalação de ferrovias e a imigração européia.
A origem do bairro, porém, remonta a 1590, época na qual os padres jesuítas catequizavam índios às margens do Rio Embiaçaba, hoje conhecido como Pinheiros. São ricos 410 anos de história, preservados, quase que exclusivamente, pela vontade dos antigos moradores.
Essas e outras lembranças do bairro, como o time de futebol de várzea Lapeaninho, o mercado municipal, a Igreja de Nossa Senhora da Lapa e documentos de antigos moradores, foram reunidas e arquivadas, a partir de 1970, no Núcleo Museológico Miguel Dell’Erba, conhecido como Museu da Lapa. “Era uma forma de preservarmos a nossa história”, afirma o jornalista Olympio Perrone, um de seus fundadores, ao lado do historiador Miguel Dell’Erba.
Nascido na Santa Cecília, região central, Perrone mudou-se ainda jovem para a Rua 12 de Outubro, por motivos profissionais. Trabalhou a vida toda em jornais locais, como a Gazeta da Lapa e a Tribuna da Lapa. O jornalista tem relíquias em seu acervo de fotos. Entre elas está uma de 1941 do ator Zacarias Iaconelli, que deixou o bairro para tentar ser galã em Hollywood. Outras, do início do século, mostram os tradicionais e familiares piqueniques ao ar livre. “Os eventos que mais marcavam o bairro eram o carnaval de rua e o Natal”, lembra. Segundo Perrone, o brilho dos carros alegóricos lapeanos, durante o governo do prefeito Faria Lima, representou o início das festividades paulistanas.
Apesar do esforço, o trabalho não atingiu bons resultados. Preocupados com a preservação da memória do bairro, a Sociedade Amigos da Lapa de Baixo, tem um projeto de revitalização do Largo da Lapa. Pelo projeto, casas antigas seriam repintadas, a iluminação nas ruas, trocada, e o largo ganharia até chafariz, como nos “Anos Dourados”. Com o intuíto de manter viva a história da Lapa e colaborar com com a causa dos lapeanos, é que justifica-se este trabalho de etnofotografia.