Até meados do século passado, a região da Lapa compunha-se de um pequeno núcleo populacional, onde hoje está a Lapa de Baixo, habitado basicamente por trabalhadores das olarias locais e por agricultores das pequenas propriedades rurais da região. Caracterizava-se por ser um local de passagem de tropas e viajantes que demandavam ao interior, através do Caminho para Jundiaí, depois chamado de corredor da Lapa - hoje ruas Carlos Vicari, Guaicurus, Nossa Senhora da Lapa e Barão de Jundiaí. Ao longo deste caminho deu-se o eixo de ocupação da região. A partir de mais ou menos 1870, a conjunção de uma série de fatores estreitamente relacionados começa a alterar grandemente a dinâmica da cidade de São Paulo: a expansão cafeeira, a instalação das ferrovias e a imigração européia. Neste período, devido às transformações sofridas pela cidade, a Lapa começa a apresentar os elementos que a definirão como bairro urbano da cidade de São Paulo. A instalação das ferrovias trouxe uma perspectiva decisiva de progresso ao local.
As pequenas propriedades rurais da região, sítios e fazendas, começam a ser transformadas em grandes loteamentos por seus proprietários, visando atrair a crescente massa de imigrantes, principalmente italianos que a princípio dirigiam-se às fazendas do interior do Estado. Desta forma, em 1888, é aberto o loteamento de Vila Romana, composto de lotes agrícolas (chácaras). Pouco depois, em 1891, é lançado o loteamento do Grão Burgo da Lapa, compreendendo o já existente núcleo da Lapa de Baixo e toda a atual região central do bairro. Neste mesmo ano é realizado o loteamento de Vila Sofia, hoje confundido com Vila Romana, composto de 808 lotes de características urbanas. Por outro lado, a ferrovia incentivou o surgimento das primeiras indústrias na região, beneficiadas também pela proximidade com o rio Tietê. Aos poucos, a Lapa ia adquirindo funções de um bairro urbano, com sua paisagem se transformando e sua vida social e econômica se desenvolvendo.
Com a instalação das oficinas e da estação da S.P.R., respectivamente em 1898 e 1899, a Lapa entra no século XX como um verdadeiro bairro urbano da cidade de São Paulo. Nas primeiras décadas deste século, o bairro da Lapa passa a receber uma infra-estrutura decorrente da sua rápida urbanização. Surgem o comércio, as escolas, o bonde, a nova matriz, os cinemas, a imprensa, a iluminação pública, o saneamento básico etc. A partir do final da 1a Grande Guerra, surgem novos loteamentos, e o bairro passa a expandir seus limites: a Vila Anastácio, urbanizada em 1919, e a Vila lpojuca, em 1921, passam a ser ocupadas por imigrantes do leste europeu. A Cia. City realiza o loteamentos do Alto da Lapa e Bela Aliança, a partir de 1920, segundo projeto do arquiteto britânico Barry Parker. A Vila Leopoldina, onde havia um loteamento colonial no final do século XIX, é retalhada em lotes urbanos em 1926. Desta forma estava definida a estrutura básica do bairro da Lapa.